QUEM NUNCA SE SENTIU ASSIM?
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,a-dor-pela-escolha-alheia,4892,0.htm
"A ‘dor’ pela escolha alheia
Roberto Fonseca
Sempre ouvi dizer que um dos principais desafios do pesquisador de campo é não interferir - ou alterar o mínimo possível - o objeto de seu estudo. Só não imaginava que, quando o tema fosse cerveja, isso se tornasse tão difícil. Toda vez que vou ao supermercado, empórios e bares onde as fermentadas são vendidas para viagem, é inevitável prestar atenção ao que as pessoas compram, em que quantidades e, principalmente, por que fazem suas escolhas. É mais forte do que eu.
Algumas decidem suas cervejas em segundos. Outras olham, pegam a garrafa, leem o contrarrótulo, a colocam de volta. Dão alguns passos, olham outras marcas, voltam àquela primeira e a pegam de novo. E repetem esse ritual algumas vezes. Por mais que em certos casos demore menos de dois minutos, chega a ser exasperante, ainda mais quando a pessoa pega uma cerveja de qualidade, a coloca de volta e, na sequência, volta àquela marca “de sempre”, titubeante, leva algumas para o carrinho e vai embora. Mentalmente, acerto a mão espalmada na testa, em sinal de desconsolo. Mas não interfiro. Pelo bem da ciência.
Depois de anos de observação, vi que há, também, o “amigo da onça” cervejeiro. Outro dia mesmo estava na seção de cervejas de um mercado, observando uma senhora que havia apanhado uma cerveja escura de boa qualidade, inglesa. Mas ela vacilou por instantes, e logo chegou um senhor, com sorriso no rosto e algumas latas de cerveja industrial escura e qualidade duvidosa. “Estas aqui são ótimas. Eu, se fosse você, levava várias.” Não sei qual a relação da dupla, mas a senhora aceitou a “dica” e saiu com mais do mesmo. Sim, vivemos num país democrático e cada um bebe o que quer, mas tive vontade de chacoalhar todas as latinhas e depois abri-las na frente do sujeito. Tolher uma nova experiência cervejeira deveria ser crime hediondo.
Há, claro, casos em que as pessoas se arriscam e levam boas cervejas. Impossível conter o sorriso na fila do caixa quando o fardão de lagers industrializadas dá lugar a garrafas diferentes. Sinto vontade de parabenizar a pessoa e apertar sua mão, quem sabe até dar um abraço, dependendo da cerveja - mas a possibilidade de ser confundido com um lunático inibe essa alegria dos cervejeiros.
Em apenas uma ocasião mandei o rigor científico às favas e ofereci ajuda a um casal em um empório especializado. Mas foi porque eles queriam um estilo de cerveja e a pessoa que os atendia estava sugerindo quase o oposto. Os dois aproveitaram para tirar algumas dúvidas e agradeceram a ajuda.
Algumas semanas depois, encontrei o mesmo casal em outra loja. Apressei-me em dizer que não era perseguidor cervejeiro, maníaco das fermentadas e nem outro personagem com ares de lenda urbana. Eles agradeceram e disseram ter adorado as dicas da ocasião anterior.
Por isso, da próxima vez em que você estiver na seção de cervejas de um supermercado e notar uma pessoa observando seus movimentos, não fique - muito - preocupado. Pode ser só alguém que se importa com a qualidade do que você vai consumir.
Informações e copos em falta
Apesar da boa variedade de rótulos, a falta de informações didáticas e aprofundadas sobre estilos cervejeiros nas gôndolas foi falha comum aos supermercados visitados pela reportagem entre os dias 3 e 5 de março - algo que precisa ser corrigido. Também faltam profissionais preparados para auxiliar na compra; o ideal seria que as redes contratassem sommeliers de cerveja, como fizeram para vinhos.
Embora alguns bares e empórios superem com facilidade a quantidade de cervejas dos supermercados pesquisados, a ideia foi buscar redes de compras com maior trânsito de pessoas, leigas e especialistas.
Além das ressalvas sobre informação cervejeira - alguns mercados informaram que tomarão providências -, falta também diversidade de copos específicos para cada estilo. Há muitas tulipas para lager, alguns copos de marcas e uma linha básica da Ruvolo. Mas em muitos casos é preciso apelar para as taças de vinho branco, flutes de champanhe ou taças de conhaque."
****
Nota do blogueiro: eu mesmo já cansei de tentar ajudar as pessoas que se sentem perdidas frente ao mundaréu de rótulos que invadiram (graças a Deus) as lojas, supers e delicatessens. Na maioria das vezes elas agradecem e percebo que tudo o que precisam é alguém elogiando as escolhas e explicando a diferença entre um e outro estilo de cerveja.
Notícias, promoções e histórias produzidas com malte, lúpulo e água. (REINHEITSGEBLOGGER)
quinta-feira, 15 de março de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Das Antigas
Postagens perdidas em meio ao meu blog de letras.
Sou um neófito no que diz respeito a cervejas. Entendo pouco de malte e lúpulo. Sei de minha preferência, secular, pelo segundo. E desde sempre, achava sem graça as nacionais, gosto de nada engarrafado ou enlatada, em latas de alumínio. No entanto, começo a sentir aromas, sabores, diferenciar cores e diferentes formações de espuma. Sou um enochato da cerveja. Um cervechato. Confesso que ainda estou nas europeias (com ou sem acento?). No Velho Mundo, é fácil achar uma cerveja com mais de 100, 200 anos de tradição. E quem faz cerveja a tanto tempo, não pode estar errado. Belgas, Tchecas, Alemãs, Inglesas... Mas e daí? Daí que os americanos, chutaram a tradição, e resolveram fazer cerveja também. Diferente daquela American Lager, reproduzida a perder de vista e de sabor, tipo Buds e afins, os caras decidiram mexer em times que estavam ganhando. E, sem tradição para os amarrarem, saíram criando, sem medo de ser feliz. É uma ótima amostra dessa chamada nova escola americana que vem parar aqui no Brasil. Rótulos como Flying Dog, Anderson Valley ou Rogue já estão nas prateleiras e o que falta para mim (ou faltava) era dar o primeiro passo. Tradicionalista, como sou, demorei. Mas tive o prazer de ser apresentado a esse novo mundo, com trocadilho por favor, com uma bela escolha: uma Anderson Valley, Oatmeal Stout.

Americana, retiro de ti o meu preconceito...

ô cerveja gostosa, viu... Preta, preta, pretinha, com uma espuma cor de caramelo. Lindíssima no copo. O tostado, defumado, o tempo todo no aroma e no paladar. Mas com os goles foi pesando na língua, lá atrás sabe, naquele lugar onde o lúpulo aparece... nos últimos goles, parecia que estava bebendo chumbo, tamanho o peso. Aí fui ler sobre as americanas e todos dizem que uma característica delas é ser forçada no lúpulo. É ruim? Não mesmo. Até achei equilibrada nos primeiros goles. Mas poderia ter dividido a garrafa com alguém.
Postagens perdidas em meio ao meu blog de letras.
Sou um neófito no que diz respeito a cervejas. Entendo pouco de malte e lúpulo. Sei de minha preferência, secular, pelo segundo. E desde sempre, achava sem graça as nacionais, gosto de nada engarrafado ou enlatada, em latas de alumínio. No entanto, começo a sentir aromas, sabores, diferenciar cores e diferentes formações de espuma. Sou um enochato da cerveja. Um cervechato. Confesso que ainda estou nas europeias (com ou sem acento?). No Velho Mundo, é fácil achar uma cerveja com mais de 100, 200 anos de tradição. E quem faz cerveja a tanto tempo, não pode estar errado. Belgas, Tchecas, Alemãs, Inglesas... Mas e daí? Daí que os americanos, chutaram a tradição, e resolveram fazer cerveja também. Diferente daquela American Lager, reproduzida a perder de vista e de sabor, tipo Buds e afins, os caras decidiram mexer em times que estavam ganhando. E, sem tradição para os amarrarem, saíram criando, sem medo de ser feliz. É uma ótima amostra dessa chamada nova escola americana que vem parar aqui no Brasil. Rótulos como Flying Dog, Anderson Valley ou Rogue já estão nas prateleiras e o que falta para mim (ou faltava) era dar o primeiro passo. Tradicionalista, como sou, demorei. Mas tive o prazer de ser apresentado a esse novo mundo, com trocadilho por favor, com uma bela escolha: uma Anderson Valley, Oatmeal Stout.

Americana, retiro de ti o meu preconceito...

ô cerveja gostosa, viu... Preta, preta, pretinha, com uma espuma cor de caramelo. Lindíssima no copo. O tostado, defumado, o tempo todo no aroma e no paladar. Mas com os goles foi pesando na língua, lá atrás sabe, naquele lugar onde o lúpulo aparece... nos últimos goles, parecia que estava bebendo chumbo, tamanho o peso. Aí fui ler sobre as americanas e todos dizem que uma característica delas é ser forçada no lúpulo. É ruim? Não mesmo. Até achei equilibrada nos primeiros goles. Mas poderia ter dividido a garrafa com alguém.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Direto do Lapa Café

Que alegria!
Depois do maravilhoso lançamento de CERVEJA BLUES ETÍLICOS no Lapa Café em janeiro, dia 14 de fevereiro às 18 horas faremos o lançamento da CERVEJA SEPULTURA WEISS com a presença da banda em nossa casa!
Duas bandas brasileiras que fazem pioneiramente suas cervas nos honraram em lançá-las no LAPA CAFÉ!
Haverá a degustação da cerveja e bate papo com os músicos. Não há muito espaço, portanto, será necessária a reserva com a compra de uma cerva SEPULTURA WEISS!!!! QUEM QUISER ESTICAR, TEM BLUES ÀS 20 HORAS (15,00) DEGUSTA EXTRAORDINÁRIA!
Reforçamos que vcs devem estar recebendo email para se cadastrarem para receberem do Lapa Café as melhores promoções de nossa Casa. Para aqueles que se cadastrarem haverá um sorteio de uma cesta de cervejas especiais! Então é o seguinte : LANÇAMENTO DA CERVA SEPULTURA WEISS DIA 14 FEVEREIRO 18 HORAS PREÇO DA CERVA 24,90 600ML
DEGUSTA NO DIA 16 DE FEVEREIRO 19:30 LAPA CAFÉ - AV GOMES FREIRE 457 INSCRIÇÃO: R$ 55,00 É NECESSÁRIO FAZER RESERVA ANTECIPADA NO LAPA CAFÉ.

Que alegria!
Depois do maravilhoso lançamento de CERVEJA BLUES ETÍLICOS no Lapa Café em janeiro, dia 14 de fevereiro às 18 horas faremos o lançamento da CERVEJA SEPULTURA WEISS com a presença da banda em nossa casa!
Duas bandas brasileiras que fazem pioneiramente suas cervas nos honraram em lançá-las no LAPA CAFÉ!
Haverá a degustação da cerveja e bate papo com os músicos. Não há muito espaço, portanto, será necessária a reserva com a compra de uma cerva SEPULTURA WEISS!!!! QUEM QUISER ESTICAR, TEM BLUES ÀS 20 HORAS (15,00) DEGUSTA EXTRAORDINÁRIA!
Reforçamos que vcs devem estar recebendo email para se cadastrarem para receberem do Lapa Café as melhores promoções de nossa Casa. Para aqueles que se cadastrarem haverá um sorteio de uma cesta de cervejas especiais! Então é o seguinte : LANÇAMENTO DA CERVA SEPULTURA WEISS DIA 14 FEVEREIRO 18 HORAS PREÇO DA CERVA 24,90 600ML
DEGUSTA NO DIA 16 DE FEVEREIRO 19:30 LAPA CAFÉ - AV GOMES FREIRE 457 INSCRIÇÃO: R$ 55,00 É NECESSÁRIO FAZER RESERVA ANTECIPADA NO LAPA CAFÉ.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
De metrô faço o caminho casa trabalho em, aproximadamente, 40 minutos.
Tempo o bastante para a empolgação da happy hour virar preguiça ou para a vontade de ir para casa virar sede de cevada. Ontem foi um dia em que fiquei com e sem vontade de beber num período curto de tempo.
No entanto, quando liguei o mp3 e escolhi a trilha do Trent Reznor e do Atticus Ross para o filme The Girl with the Dragon Tatoo, meu mundo deu uma virada. O filme ainda será lançado em terras tupiniquins, mas se a trilha servir de indicação, ele será bem soturno e sombrio. Reznor sabe como ninguém dar significado a ruídos e barulhinhos e, mais incrível ainda, juntar melodias incríveis a eles. Então, com essa trilha sonora, fui atrás de uma cerveja.
O local, onde já sou local, foi o Mr. Beer do Shopping Tijuca. Aproveitando a promoção, comecei com uma Colorado Indica. Garrafa de 500ml por R$11,90. Da Indica acho que nem tenho mais o que falar. É uma IPA, India Pale Ale. A história desse estilo todo mundo já deve conhecer: mais lúpulo e álcool numa pale ale inglesa para conservar a cerveja durante uma viagem até a India. O culpado disso tudo? George Hodgson. Ou pelo menos é o que uma certa quantidade de exemplares de uma larga biblioteca etílica nos diz. Há, claro, os que são contrários à ideia de dar nome a UM inventor da IPA, uma vez que ela era feita por outras cervejarias também. Esquecendo isso e indo para a cerveja:
A Colorado Indica é feita em Ribeirão Preto pela, em minha humilde opinião, melhor cervejaria brasileira. Como em todas as suas edições, há um ingrediente que faz a diferença: a adição de rapadura.
No copo, um cobre translúcido. Aroma de lúpulo, o que não tem como fugir muito numa IPA. Mas também tem um maltado, um toque da rapadura, certamente, que segue na boca.
Explosão de lúpulo no primeiro gole, com notas de malte torrado. Seca no final, pedindo o próximo gole.
Uma cerveja que, devo admitir, seria a minha primeira opção em qualquer ocasião.
Em nada assusta os 7%, perfeitamente equilibrados. Uma cerveja nota 10.
Tempo o bastante para a empolgação da happy hour virar preguiça ou para a vontade de ir para casa virar sede de cevada. Ontem foi um dia em que fiquei com e sem vontade de beber num período curto de tempo.
No entanto, quando liguei o mp3 e escolhi a trilha do Trent Reznor e do Atticus Ross para o filme The Girl with the Dragon Tatoo, meu mundo deu uma virada. O filme ainda será lançado em terras tupiniquins, mas se a trilha servir de indicação, ele será bem soturno e sombrio. Reznor sabe como ninguém dar significado a ruídos e barulhinhos e, mais incrível ainda, juntar melodias incríveis a eles. Então, com essa trilha sonora, fui atrás de uma cerveja.
O local, onde já sou local, foi o Mr. Beer do Shopping Tijuca. Aproveitando a promoção, comecei com uma Colorado Indica. Garrafa de 500ml por R$11,90. Da Indica acho que nem tenho mais o que falar. É uma IPA, India Pale Ale. A história desse estilo todo mundo já deve conhecer: mais lúpulo e álcool numa pale ale inglesa para conservar a cerveja durante uma viagem até a India. O culpado disso tudo? George Hodgson. Ou pelo menos é o que uma certa quantidade de exemplares de uma larga biblioteca etílica nos diz. Há, claro, os que são contrários à ideia de dar nome a UM inventor da IPA, uma vez que ela era feita por outras cervejarias também. Esquecendo isso e indo para a cerveja:
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